• Nina Brandt

O poder da sinceridade


As vezes pensamos que pra viver bem em sociedade é preciso usar máscaras. Não me refiro aqui às máscaras anti coronavírus, mas àquelas que só nós sabemos que vestimos, que usamos todos os dias pra seguir tendo um bom relacionamento com as pessoas que achamos que precisamos ter e nos círculos de amizade que achamos que devemos nos moldar para permanecer inseridos. Sem falar naquela outra máscara que colocamos quando recebemos um diploma ou título, algo altamente oficial e pomposo, que diz que não podemos errar e que somos detentores da verdade e que ela é uma só, sólida e imutável. Espero que nessa época em que usamos máscaras de tecido possamos olhar pras nossas outras máscaras, tidas como invisíveis, e perceber que elas escondem uma fragilidade. Que são, no fim, visíveis, mas apenas aos olhos de quem realmente escolhe ver – por que pra vê-la é preciso não estar usando uma, e não usar uma máscara é uma escolha.

Quando a necessidade de parecer passa a ser um sentimento igual a usar uma roupa que já não serve mais, muitas transformações acontecem. É como ver um filme em alta definição pela primeira vez ou estar na pele de Neo, no filme Matrix. Nada mais será como antes. O que é essencial não será mais confundido com qualidade, o óbvio será dito, o elefante no quarto será estudado, a dúvida valerá mais que a certeza, a jornada valerá mais que o pódio e a vida deixará de ser uma eterna corrida de ratos. A busca será pelo crescimento. Não falo dos nossos músculos e do padrão de vida, mas da habilidade de usar a mente a nosso favor. E o ponto inicial para o treino dessa habilidade – como de qualquer outra – é conhecer o ponto de partida.

Somente ao olhar para si com sinceridade, ou seja, com simplicidade e verdade, é que podemos fazer crescer nossa construção em bases firmes. Exige coragem, afinal olhar pra si mesmo é mais difícil do que olhar para os outros, certo? Certo, até nos darmos conta de que os outros são espelhos [tela azul; error]. Ou seja, no fim, é você com você mesmo. A partir dessa descoberta, faz mais sentido aproveitar que todo acontecimento na vida é um professor e estudar com afinco, por que as situações não ocorrem conosco, e sim para nós. O conhecimento advindo do enfrentamento corajoso e resiliente das surpresas da vida cria um ser humano verdadeiramente forte – a força não está na musculatura. Todos temos esse potencial. E cada vez que alguém cresce, abre espaço pra outros crescerem também. Mas lembre-se: desarme-se, descubra-se. Tudo começa com a sinceridade. Mantenha-se bem. Mantenha-se forte.

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Carolina Brandt Meister

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